Simpósio Internacional em Tecnopolítica (EACH/USP)


Dia: 14/06/2012 – das 09:30 às 18:30.
Local: Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH/USP)
Infos: https://sit.sarava.org/pt-br/

:::::::::: INFORMAÇÕES :.
Novas tecnologia transformam a maneira com que nos relacionamos com o mundo numa escala de tempo muito curta. Hoje, os fluxos informacionais passaram a ter papel fundamental no cotidiano das pessoas e as organizações sociais e políticas incorporaram a tecnologia como meio de articulação.

Nesse cenário, duas concepções se impoem como dominantes. Em uma delas, as transformações tecnológicas são vistas com otimismo exacerbado, tornando a inovação em um fim em si mesmo. Na outra, a tecnologia é vista apenas como instrumento, que pode ser utilizada para mobilização social. Nessa perspectiva, pode ser manipulada por grupos políticos de qualquer espectro sem que sejam discutidas as consequências da adoção e do uso dessas tecnologias.

Ambas as visões veem as plataformas digitais de forma neutra. Esta é uma visão que mascara as relações sociais e políticas que estão por trás da utilização da tecnologia e, da mesma maneira, mascara as implicações da construção e produção das (novas) tecnologias, retirando seus significados sociais e suas proposições políticas.

Propomos a construção de um debate dentro de outra perspectiva, na qual será necessário nos debruçarmos simultaneamente sobre o conjunto de políticas feitas através do uso das (novas) tecnologias e sobre o conjunto de tecnologias propostas que, mesmo de maneira dissimulada, contém em si usos políticos. A tecnologia e a política devem ser discutidas sob seus múltiplos aspectos e contradições.

A política está no protocolo, na linguagem das máquinas, nos fluxos e interrupções tanto governamentais quanto corporativas, assim como na mobilização social e na repressão.

Por consideramos urgente esta discussão entre tecnologia, política e a sinergia entre quem codifica, quem estuda e quem atua nestas esferas, o Grupo Saravá organiza o Simpósio Internacional em Tecnopolítica no dia 14/06/2012 em São Paulo, convidando ao debate programadores/as, cientistas sociais e ativistas do Brasil e do mundo.

Além de explorar as problemáticas da liberdade de expressão, poder, privacidade, segurança e anonimato nas mídia digitais, a conferência também traz para o debate pesquisadores/as cuja atuação e produção indicam novos caminhos da prática política, da organização e da comunicação.

:::::::::: PROGRAMAÇÃO :.
09:00 Credenciamento
09:30 – Abertura e apresentação
10:00 – Pesquisa Ativa: pensamentos que se materializam (moderação: Henrique Parra)

    A especial relação dos hackers com o Desconhecido (Maxigas); Digital Radio Mondiale Brasil / Redes autônomas de telefonia móvel (Rafel Diniz); Tails – O Live System Amnésico e Incógnito (Intrigeri); Seu servidor acabou de ser tomado? O que tenho a ver com isso? (gdm)

12:00 Almoço
14:00 – Fugas e capturas no infocapitalismo (CTeMe)
16:00Cofee break
16:30 – Com o que estamos lidando? (moderação: Elisa)

    Grampolândia e Privataria (Silvio Rhatto); Retenção de Dados na União Européia e como lutar contra isso (Andre); Mecânica Identitária e Controle Social (Daniel Kahn Gillmor); Produção Algorítmica de Suspeitos (Oliver Leistert)

18:30 – Encerramento

:::::::::: APRESENTAÇÃO DO CTeMe :.
Fugas e capturas no infocapitalismo
(Thiago Novaes, Stefano Schiavetto, Leonardo Ribeiro da Cruz, Pedro P. Ferreira, Marta M. Kanashiro).

O advento da circulação abundante de riquezas na Internet vem chamando a atenção para novas formas de promoção do anonimato na rede, onde não se vislumbra o reconhecimento de autoria nem propriedade sobre o que circula, mas se promovem novas formas de produção e manutenção coletiva de bens comuns. É urgente a criação de conceitos capazes de capturar o modo de funcionamento desses processos que, apesar de não terem sido criados pela informática, encontraram nela um solo excepcionalmente fértil, possivelmente pelo encontro singular que nela se deu entre o imaterial (sinais, signos lógica e sentido, geralmente entendidos como intangíveis e não-rivais) e o material (processos mecânicos e eletromagnéticos, geralmente entendidos como tangíveis e rivais). Gostaríamos, nesse movimento, de apresentar um conceito nascido do imbricamento humano-máquina e dar vazão à potência que nos apresentam anonimozegratuitos.

Gostaríamos também de abordar como essas novas formas de produção e manutenção de bens comuns vêm acompanhadas de mudanças no mundo do trabalho. A ideia é discutir três aspectos de resultados atuais de uma pesquisa sobre a organização de trabalho e geração de capital por desenvolvedores de hardware livre. Por um lado, consideraremos como

desenvolvedores de hardware têm se articulado em uma comunidade (OpenCores) para concretizar um microprocessador sob licença livre (OpenRISC). Por outro lado, consideraremos como esses desenvolvedores têm encontrado formas de gerar capital alternativas ao padrão industrial. A proposta política desses desenvolvedores envolve, assim, a organização de formas de concretizar objetos técnicos e de gerar capital que não interfiram na liberdade de acesso à informação e à concretização.

Por fim, gostaríamos de discutir também os novos acontecimentos na seara das leis de copyright e de direitos autorais – em especial as movimentações do congresso estadunidense para a aprovação da SOPA e PIPA e a reação das chamadas “empresas de internet”. Nesse evento, pudemos perceber de forma clara um novo tipo de disputa: empresas que baseiam seu negócio em um modelo arcaico de comercialização de produtos culturais e que utilizam o enrijecimento das leis de direito autoral para restringir o uso e impedir a reprodução de seus produtos encontraram agora a oposição de um novo e rentável modelo de negócio cuja lucratividade é alcançada por outros meios – como pela comercialização dos perfis de uso dos usuários de internet para empresas de marketing – e que seria largamente prejudicada com as alterações legais propostas pelos congressistas estadunidenses.

Essa conjuntura aponta, dentre outras coisas, para a emergência de uma nova configuração do capitalismo e das relações econômicas envolvendo os produtos culturais e a internet como novo espaço de distribuição. Nessa configuração, as disputas envolvendo a liberdade na internet devem perpassar novas questões que nos hoje constantemente são apresentadas, como as relações de privacidade e anonimato e o direcionamento da rede para ambientes cada vez mais controlados. Como pensar e praticar a fuga numa sociedade de controle?

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