10 anos de CTeMe


Para comemorar seus 10 anos de existência, o Grupo de Pesquisa Conhecimento, Tecnologia e Mercado (CTeMe) realizará, no dia 23 de maio próximo, um evento comemorativo com palestras e debates com membros originais e atuais do grupo e uma conferência de Laymert Garcia dos Santos, líder fundador do CTeMe e professor titular do IFCH. O evento, que ocorrerá no Auditório I do IFCH das 9h às 21h, será aberto ao público e transmitido pela internet. Além disso, será registrado para posterior publicação.

Ao longo de seus 10 anos de existência o CTeMe organizou eventos, publicações e disciplinas de graduação e pós no IFCH. Dezenas de teses de doutorado e dissertações de mestrado foram debatidas no âmbito de nossas reuniões quinzenais, e essas reuniões fizeram parte da trajetória acadêmica de muitos pesquisadores hoje espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

O evento comemorativo “10 anos de CTeMe” busca fazer um balanço geral de todas as atividades desenvolvidas no âmbito do grupo, além de oferecer ao público exemplos de pesquisas desenvolvidas atualmente por integrantes do grupo, por meio de palestras e debates. Desde 2013, o CTeMe é coordenado por Laymert Garcia dos Santos, Márcio Barreto, Marta Kanashiro e Pedro P. Ferreira, e vem desenvolvendo novas atividades e novos projetos. O evento será também uma oportunidade de publicizar no IFCH nosso projetos atuais e futuros de forma a envolver outros pesquisadores (em todos os níveis de formação) e desdobrar a relevância do trabalho desenvolvido pelo grupo.

Representantes de outros grupos de pesquisa da Unicamp e de fora que desenvolvem atividades em conjunto com o CTeMe também estarão presentes e serão convidados a participar da discussão. Abaixo seguem a programação prevista para o evento, assim como informações biográficas dos participantes.

Programação
23 de maio de 2013
Auditório I do IFCH

Abertura
9h
Márcio Barreto (FCA/Unicamp), Marta M. Kanashiro (Labjor/Unicamp), Pedro P. Ferreira (IFCH/Unicamp).

MESA 1
9h30-13h

Marketing online e música como serviço: os novos modelos de negócio do mercado fonográfico na internet
Leonardo Ribeiro da Cruz (IFCH/Unicamp)

    Esta comunicação apresenta as mais recentes ações do grande mercado fonográfico na rede, em particular aquelas que fazem parte das estratégias de inserção das empresas fonográficas no ambiente digital. Para tal, explorarei, mesmo que brevemente, os novos modelos de negócio hegemonicamente estabelecidos na internet baseados na “gratuidade” do produto oferecido ao usuário final e financiados pelas ações de publicidade e suas estratégias de “anúncios baseados em interesse” ou “publicidade comportamental online”. Nesse cenário, pretendo discutir o papel da música digital como serviço a favor das estratégias publicitárias, em que os dados de navegação e o tempo de atenção do usuário se tornam moeda de troca.

    Leonardo Ribeiro da Cruz doutorando em Sociologia no Programa de Pós Graduação em Sociologia da UNICAMP, com pesquisa financiada pela Fapesp. Possui graduação em Ciências Sociais (2006) pela Unesp-Marília e mestrado em Ciências Sociais (2008) pela mesma instituição. Tem experiência na área de Sociologia, atuando principalmente nos seguintes temas: internet, ciberespaço, ciberativismo, indústria fonográfica, mercado musical, direito autoral e tecnologia.

Constituição do alienismo, depressão e neurociência
Elton Corbanezi (IFCH/Unicamp)

    A exposição será organizada em três momentos. Primeiro, apresentará uma leitura da História da Loucura, de Foucault, e d’O Alienista, de Machado de Assis, com o propósito de mostrar o ceticismo e a ironia do escritor brasileiro diante da constituição do alienismo no país. Em seguida, exporá mais detidamente a pesquisa de doutorado, que versa sobre saúde mental, depressão e biopolítica. Por fim, serão apresentadas intenções de pesquisas futuras relacionadas à neurociência.

    Elton Corbanezi possui Graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp e Mestrado em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Foi bolsista Fapesp em Iniciação Científica e no Mestrado, com pesquisa sobre Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Machado de Assis, em relação aos seguintes temas: racionalidade médica, psiquiatria, loucura, razão, modernidade, literatura e sociedade. Atualmente é doutorando em Sociologia pelo IFCH/Unicamp com pesquisa sobre a depressão e os processos de subjetivação provocados pelos dispositivos psiquiátricos contemporâneos – e integrante do grupo de pesquisas CTeMe.

Técnica, trabalho, trabalhador, humano.
Rafael Alves da Silva (IFCH/Unicamp)

    Reflexões acerca do trabalho e do trabalhador, suas relações com a tecnologia contemporânea, obstáculos e possibilidades para as potências do humano.

    Rafael Alves da Silva é mestre em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas, doutorando em Ciências Sociais pela mesma universidade. Interessa-se atualmente por questões relativas a trabalho e tecnologia e por arte contemporânea, especialmente a chamada arte popular e suas singularidades.

A reticulação da banda larga móvel.
Diego J. Vicentin (IFCH/Unicamp)

    Estamos todos inseridos num cenário de crescimento da banda larga móvel como meio de acesso a dimensão comunicante que podemos chamar de ciberespaço. De acordo com dados da International Telecommunications Union (ITU) o número de assinantes dos serviços de banda larga móvel cresceu 45% ao ano em todo mundo, entre 2008 e 2011, quando ultrapassou o número de assinantes da banda larga fixa. Mas, quais serão os Standards tecnológicos utilizados por essas redes de próxima geração? Como eles são gestados e geridos? Para além de ser uma questão técnica, essa deve ser uma preocupação política e social, pois tem implicações diretas no protagonismo de construção do ciberespaço. Nessa apresentação, portanto, pretendo expor o atual “estado da arte” da pesquisa que estou conduzindo nessa direção.

    Diego J. Vicentin é doutorando em Sociologia na Unicamp e integrante do grupo de pesquisa CteMe, onde desenvolve pesquisa relativa ao desenvolvimento e evolução das tecnologias móveis de comunicação.

MESA 2
14h-17h

Entre o material e o simbólico
Christian P. Kasper (UFTPR)

    Propõe-se apresentar elementos de uma investigação a partir do conceito de diagrama tal como elaborado na obra de Félix Guattari. Operando no limiar entre o material e o simbólico, o diagrama ocupa uma posição estratégica para pensar as articulações entre o social, a subjetividade e a tecnologia.

    Christian P. Kasper possui graduação em Artes visuais pela Ecole Supérieure Des Beaux Arts de Genebra (1995), doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (2006) e pós-doutorado em design pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2010). Seu campo atual de pesquisa envolve questões relativas à cultura material, em seus aspectos sociológicos, antropológicos, micropolíticos e filosóficos.

Ecofeminismo, “ativismo menstrual” e tecnofobia
Daniela T. Manica (IFCS/UFRJ)

    A proposta desta comunicação é ensaiar um contraponto entre a tecnociência reprodutiva, representada pelos contraceptivos hormonais disponíveis no mercado farmacêutico com a finalidade de suprimir ou reduzir o sangramento menstrual, e o “ativismo menstrual”, desdobramento do ecofeminismo contemporâneo que (hiper) valoriza a experiência da menstruação

    Daniela T. Manica é professora adjunta no Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ). Possui graduação em Ciências Sociais (2001), mestrado (2003) e doutorado (2009) em Antropologia Social pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp (IFCH/Unicamp). Tem interesse e experiência de pesquisas nos seguintes temas: relações entre cultura e natureza; gênero, tecnociência e medicina; biografia, etnografia e itinerários intelectuais. Participa do GeACT, Grupo de Estudos em Antropologia da Ciência e Tecnologia, coletivo interinstitucional sediado no Rio de Janeiro, que agrupa pesquisadores da UFRJ, UFF, UERJ e co-coordena o LEIC, Laboratório de Etnografia e Interfaces do Conhecimento, do IFCS/UFRJ.

Aceleração tecnoeconômica e a modulação do direito
Anderson Marcos dos Santos (UFPR)

    Analisar o processo de modulação da técnica jurídica que flexibilizou e ajustou os requisitos de patenteabilidade às demandas e apetites da tecnociência e do capital com o objetivo de incluir os elementos biológicos-informacionais do humano no regime de patentes.

    Anderson Marcos dos Santos é mestre em direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e doutor em sociologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente é professor de direito na UFPR.

Conferência
17h-18h
Laymert Garcia dos Santos (IFCH/Unicamp)

MESA 3
18h-21h

Software Livre na América do Sul: liberdade de não pagar e bem funcionar
Francisco A. Caminati (IFCH/Unicamp)

    Na América do Sul, ao longo da última década e acompanhando a ascensão ao poder de projetos políticos de esquerda ou de cunho nacional-desenvolvimentista, o Software Livre se tornou um instrumento estratégico para conquista de soberania tecnológica e, também, uma linguagem para a política no tratamento de questões tecnológicas. Nesta comunicação, pretendo abordar e problematizar dois aspectos próprios da trajetória do Software Livre em nosso Subcontinente: a liberdade de não pagar pelas licenças de uso e as possibilidades de aproximação entre as premissas políticas do Software Livre com os conceitos políticos locais de Pachamama e Sumak Kawsay (Suma Qamaña ).

    Francisco A. Caminati é doutor em Sociologia pela UNICAMP e trabalha com implementação tecnológica, desenvolvimento local e gestão territorial no Mato Grosso e no Acre. É pesquisador do CTeMe desde 2004 e também participa dos seguintes grupos: LATA — Laboratório de Antropologia, Território e Ambiente, Wederã Lab e Plataforma DRM-Brasil. Desenvolve pesquisa sobre Software Livre, desenvolvimento tecnológico, geopolítica da informação, descolonização e apropriação tecnológica por povos tradicionais.

Ciências do mar, ciências sociais e ecossistemas informacionais
Rodolfo E. Scachetti (Unifesp-Santos)

    Esta comunicação busca tratar da formação recente do campo profissional e científico das ciências do mar no Brasil e de suas relações com as ciências sociais, notadamente através da experiência da inserção destas últimas nos novos Bacharelados Interdisciplinares em Ciência e Tecnologia do Mar. A noção de ecossistemas informacionais guiará essa proposta.

    Rodolfo E. Scachetti é professor adjunto da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista. Possui graduação em Ciências Sociais pela Unicamp (2003), graduação em Comunicação Social pela Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (2004) e mestrado e doutorado em Sociologia pela Unicamp (2006 e 2011). Tem experiência na área de Sociologia, Filosofia, Comunicação e Artes, com ênfase em: sociologia contemporânea, sociologia da tecnologia, epistemologia, filosofia contemporânea, comunicação, educação e artes.

Arte, tecnologia e invenção: deslocando a perspectiva no contexto da crise
Emerson Freire (Fatec-Jundiaí)

    Durante o ano de 2010 uma série de obras artísticas exibidas em Paris, mais ou menos explicitamente, permitiam refletir as relações entre ciência, tecnologia e sociedade, que se deram a partir da crise financeira de 2008 e a sua consequente reconfiguração geopolítica, sob outra perspectiva que não somente a econômica e momentânea. Se o progresso técnico, via aceleração tecnológica aliada ao mercado financeiro, não atingiu os ideais iluministas estampados em cada prédio público francês, por exemplo, o revés não deveria ser creditado à tecnologia, stricto senso. Por outro lado, sabe-se que a cibernética e a informatização da sociedade não proporcionaram liberté, fraternité e muitos menos igualité, como pregavam muito de seus gurus. E no final das contas, como efeito dessa insistência em querer fazer sinônimos progresso técnico e progresso humano, o mercado acabou tomando para si o gerenciamento da tecnologia, quer seja na vertente do fetiche tecnológico ou da promoção de inovação centrada em criação de patentes. Esse texto pretende iniciar uma discussão sobre essa problemática a partir de um “passeio” pelas exposições e obras vistas naquele ano.

    Emerson Freire é doutor em Sociologia pela Unicamp, em Filosofia pela Université de Paris 1 – Panthéon Sorbonne – França, e concluiu seu mestrado em Política Científica e Tecnológica também pela Unicamp. Foi ganhador do Prêmio Rumos de Pesquisa do Instituto Itaú Cultural em seleção nacional, destinado ao fomento de pesquisadores em artemídia. Contribui e faz parte da equipe editorial da Revista Nada (Lisboa) e é editor da Revista Eletrônica Tecnologia e Cultura, Fatec Jundiaí. Interessa-se pelas relações sociotécnicas produzidas no âmbito das produções artísticas que tematizam ou operam com as tecnologias contemporâneas, tendo artigos publicados e participado em eventos nacionais e internacionais sobre o assunto. Atualmente é Professor Associado da Faculdade de Tecnologia de Jundiaí, onde coordena o Núcleo de Estudos de Tecnologia e Sociedade (NETS). Desde 2003, é pesquisador do grupo de pesquisa CTeMe.

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