Dezembro 13, 2009

Nada#13

Bombástica. Esta é a palavra que melhor descreve, da capa à contracapa, o décimo terceiro número da revista portuguesa Nada. Lançado ainda em junho de 2009, só agora consigo escrever algo sobre ele aqui. E antes tarde do que nunca, pois este número da revista definitivamente não pode passar em branco.

A revista se divide, para mim, em três blocos. O primeiro, que inclui os três primeiros textos da revista, abre com o pé direito, com um texto magnífico (já publicado anteriormente em outros veículos em inglês e francês) do sociólogo Alberto Toscano: “O disparate: ontologia e política em Gilbert Simondon“. O texto oferece uma leitura de Simondon que se distingue daquelas de Paolo Virno e de Muriel Combes (classificados por Toscano como “naturalista” e “relaciona”, respectivamente) e se aproxima bastante daquela de Herbert Marcuse (que Toscano apresenta como “um dos primeiros leitores de Simondon”), notando entretanto que “Marcuse perde de vista a descontinuidade impulsionada pelo evento, que em Simondon caracteriza a invenção e os objetos técnicos como maneiras de relacionar a colectividade social e política ao devir da natureza”(p.11). Iluminando as importantes ressonâncias políticas entre invenção e subjetivação no pensamento do filósofo francês, Toscano oferece uma valiosa contribuição para qualquer esforço de aproveitamento sociológico de Simondon.

Na seqüência vem “Acidente e simulação em JG Ballard: notas sobre e a partir de Crash“, no qual Luís Quintais desenvolve um estudo luminoso sobre o processo de concepção da idéia do livro Crash (1973) por JG Ballard. Teve especial importância nesse processo uma exposição do próprio Ballard no New Arts Laboratory de Londres, na qual carcaças de automóveis acidentados foram expostas e, assim, permitiram ao artista “testar ali a sua hipótese sobre a relação inconsciente entre sexo e acidente de automóvel” (p.21).

Susana Ventura nos brinda em seguida com seu belo exercício literário/teórico “Being stuck: entre realidade e ficção, apropriação e representação, um piso e outro“. Ventura já havia publicado um texto sobre a “casa de Bordéus” (Maison à Bourdeaux, projeto de Rem Koolhaas) na Nada#10 (“E o elevador irrompeu em direção ao céu, atravessando as nuvens, rumo ao infinito…”), e agora retorna ao tema por ocasião do filme Koolhaas Houselife, do qual foram retiradas as seqüências de fotogramas da casa e de sua zeladora Guadalupe, que ilustram o texto. Guadalupe, segundo Ventura, “é o lado prático desta casa. Incumbida das tarefas diárias de cuidado e limpeza, é possível segui-la para todo o lado e verificar como tudo funciona – coisas que nem me passariam pela cabeça – ou desvendar as pequenas disfunções da casa.” (p.27) Daí a qualidade esquizoanalítica do texto, na medida em que oferece um acesso àquilo que poderia, com justiça, ser definido como o inconsciente maquínico da “casa de Bordéus”.

O segundo bloco da revista (segundo a minha leitura particular) abre com o amplamente ilustrado “Uma genealogia da Nano-Art através da escala: práticas fotográficas de Nigel Henderson no Arquivo da Tate Gallery“, no qual Assimina Kaniani argumenta, com base em certa pesquisa, que “o trabalho fotográfico de Henderson [desenvolvido nas décadas de 40 e 50] pode ver-se como precursor da nanoarte” (p.50). Josias de Paula Jr., da UFPB, vem em seguida com o instigante texto “Virtualização e guerra: biopolítica e robótica“, grande destaque deste segundo bloco na minha opinião, no qual guerra, política e tecnologia são pensadas historicamente e em suas correlações contemporâneas. Chegamos então à única entrevista deste número, uma conversa sobre arte e filosofia (em uma palavra, “estética”) entre Jorge Leandro Rosa e a esteta Christine Buci-Glucksmann intitulada “Diálogo sobre as imagens cristalinas e o pensamento na arte“. E na seqüência vem o ricamente ilustrado “Infotransportadores biológicos para arquiteturas ubíquas“, dos arquitetos-artistas Frederico Fialho e Muge Belek.

O terceiro bloco no qual eu propus dividir a revista, que inclui seus últimos 4 textos, se inicia com o formidável “Humanos-não-humanos: apontamentos de campo sobre a exposição Sem simetria o social fica suspenso“, no qual Jorge Gomes desenvolve um estudo sócio-estético pontual e preciso da Actor-Network-Theory, em especial em sua versão latouriana. Gomes deixa clara a interessante possibilidade de inserir, com ressalvas importantes, a sociologia latouriana na tradição weberiana “compreensiva” (e também na do interacionismo simmeliano), ao retomar a clássica oposição entre os paradigmas sociológicos “explicativo” e “interpretativo”.

O arquiteto-fotógrafo Eduardo Costa, pesquisador dos usos documentais da fotografia de arquitetura, vem em seguida com “Fotografia de arquitectura: uma escrita da cultura“. Neste texto, a seqüência fotográfica que Arthur Köster fez em 1927 da Ein Wohmhauss (projeto de Bruno Taut), é tomada como ponto de partida para uma reflexão sobre “como a fotografia de arquitectura [...] carrega uma série de recursos lingüísticos inerentes à câmara fotográfica e, ainda, manipuláveis pelo fotógrafo” (p.113).

A revista termina com: “Liberdade“, pílula literária na qual Aécio Amaral” nos transporta para um dia na vida de um ex-presidiário em Recife; e “Na valeta“, mais uma máquina literária de fazer o tempo parar, armada por João Urbano.

Tanto este quanto os números anteriores da revista Nada podem ser encontrados em Portugal, na Espanha e no Brasil – interessados podem deixar um comentário no final deste post. E vale noticiar também que, com o décimo terceiro número da revista, foi lançado o novo site da Nada, reformulado para oferecer, agora, um conteúdo exclusivo.

Pedro P. Ferreira

Outubro 21, 2009

La individuación

Há pouco, em agosto, saiu La individuación a la luz de las nociones de forma y de individuación, de Gilbert Simondon. Essa edição, publicada em Buenos Aires por La Cebra-Cactus, reúne o trabalho principal da tese de doutorado do filósofo.

O que dizer? Esta obra é uma viagem de ida, um livro-máquina transversalisando filosofia e ciência.

Cecilia Diaz Isenrath

Julho 21, 2009

R@U#1

R@U#1
Foi publicado o primeiro número da R@U, Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFCar. A revista, em formato eletrônico, foi editorada por Messias Basques e conta com artigos, resenhas, relatos de pesquisa e uma entrevista com Paulo Santilli. Estou curioso para ler o texto do Rafael Teixeira, que considera as relações entre Henri Bergson e Claude Lévi-Strauss. Eu compareço com um artigo viveiros-de-castriano sobre mito e tecnologia. Veja o sumário abaixo e visite o site da revista para baixar os artigos individuais ou toda a revista, em formato pdf.

Artigos

A aventura Estruturalista: Uma breve exposição da história e do funcionamento do método estrutural, em homenagem aos cem anos de seu inventor – Patrice MANIGLIER

De Caraíbas e Morubixabas: A ação política ameríndia e seus personagens – Renato SZTUTMAN

Mito e Tecnologia: Desencontros e reencontros entre índios e brancos – Pedro Peixoto FERREIRA

Entre uma consciência que recorta e um intelecto que totaliza: Continuidade e descontinuidade em Henri Bergson e Claude Lévi-Strauss – Rafael Henrique TEIXEIRA

Anfitriões guerreiros – Angela KUROVSKI

Saúde e Interculturalidade:A participação dos Agentes Indígenas de Saúde/AISs do Alto Xingu – Marina Pereira NOVO

Performances corporais mágico-religiosas dos torcedores de futebol – Reinaldo Olecio AGUIAR

Entrevista

Trajetórias, Territórios e Conflitos: Entrevista com Paulo Santilli – Camilla MAINARDI; Marília LOURENÇO; Messias BASQUES; Tatiana MASSARO

Relatos de Pesquisas

O poder do riso: Reflexões sobre o humor em uma etnografia Krahô – Ana Gabriela Morim de LIMA

O Espírito Santo e o Diabo: O preenchimento pelo Bem e a contaminação pelo Mal na Renovação Carismática Católica – Lílian Maria Pinto SALES

Resenhas

LÉVI-STRAUSS, Claude. O Suplício do Papai Noel – Eliana do Pilar ROCHA

KULICK, Don. Travesti: prostituição, sexo, gênero e cultura no Brasil – Érica Rosa HATUGAI

BATESON, Gregory. Naven – Juliana Affonso Gomes COELHO

BARCELOS NETO, Aristóteles. Apapaatai: rituais de máscaras no Alto Xingu – Yara NGOMANE

Pedro P. Ferreira

Julho 20, 2009

CTeMe na SBS

LogoSBSO CTeMe-Unicamp terá dois representantes no congresso organizado pela  Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS) que será realizado no Rio de Janeiro entre 28 e 31 de Julho de 2009.

Yurij Castelfranchi está inscrito na primeira sessão do GT22 “Sociedade da Informação e Sociedade do Conhecimento” com o trabalho “Ethos e práticas no funcionamento da tecnociência contemporânea”

Já Diego J. Vicentin e Martha Ramírez-Gálves irão participar do GT04 “Consumo, Sociedade e Ação Política” apresentando respectivamente os papers intitulados  “O consumo da mobilidade: um estudo sobre o dispositivo celular“  e “Tudo por um filho: razões técnicas para o uso de tecnologias reprodutivas conceptivas”.

Maio 9, 2009

II Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (II ReACT)

IIReACT

Dedicada a estudos dos saberes e das práticas científicas e tecnológicas contemporâneas, pregressas e futuras, próprias ou alheias, mediante pesquisas etnograficamente informadas e em diálogo com diferentes tradições antropológicas, a Antropologia da Ciência e da Tecnologia é uma das especialidades da Antropologia que tem apresentado um dos crescimentos mais significativos nos últimos anos. Assim, uma primeira edição da Reunião de Antropologia da Ciência e da Tecnologia (ReACT) ocorreu em setembro de 2007 no IFCS/UFRJ, Rio de Janeiro. Realizada pelo GEACT, que a nomeou, a I ReACT contou com a presença de vários antropólogos brasileiros, além de historiadores e outros cientistas sociais atuantes no país. Com intenção de tornar as Reuniões de Antropologia da Ciência e da Tecnologia atividades bienais de caráter itinerante, estamos propondo esta II ReACT. Realizada na UFMG pelo LACS, pelo PPGAN e pela FAFICH, a II ReACT pretende ter um caráter eminentemente plural e manter um compromisso explícito com a heterogeneidade das abordagens em curso; pretende também, e simultaneamente, buscar pontos de passagem ou de conexão entre estas abordagens, explorando particularmente os que dizem respeito ao lugar das pesquisas etnográficas e ao lugar das teorias antropológicas na discussão do tema em torno do qual as ReACTs se articulam. Ancorados na experiência bem sucedida da antropologia brasileira e em sua vocação para absorver, reformular e transformar tendências teóricas provenientes de outras escolas, ao mesmo tempo em que cria as suas próprias, com a realização da II ReACT acreditamos ser possível contribuir para a refiguração dos estudos sociais da ciência e da tecnologia tal como vêm sendo desenvolvidos no Brasil e no exterior por profissionais oriundos de outras especialidades, bem como contribuir para o desenvolvimento da antropologia que no país se faz.

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Dia 19

Inscrições dos participantes9h30 a 16h – Saguão do Auditório Sônia Viegas

Sessão de abertura 16h a 16h30 – Auditório Sônia Viegas

Conferência A 16h30 a 18h15 – Auditório Sônia Viegas

  • Faire science ailleurs : ethnologie d’un laboratoire japonais (Fazer ciência alhures: etnologia de um laboratório japonês) – Sophie Houdart (Paris X/CNRS)

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Dia 20

Mesa 1: Tecnociência e sociedade – 9h30 a 12h – Auditório Sônia Viegas

  • O Manifesto Humano: abelhas, “strings” e linguagem – Rodrigo Ribeiro (Engenharia/UFMG)
  • Movendo fronteiras – da política à antropologia das ciências e das tecnologias: a respeitabilidade de versões de realidade em disputa no combate à desnutrição infantil no Brasil – Ivan da Costa Marques (COOPE/UFRJ)
  • Três paradigmas das tecnociências – aspectos antropológicos – Ivan Domingues (Filosofia/UFMG)

Mesa 2: O dado, a crença e as linhagens de antropólogos – 14h a 16h30 – Auditório Sônia Viegas

  • A construção do dado: empresa científica e a construção do dado racial em finais do século XIX no Brasil – Lilia Schwartz (PPGAS/USP)
  • A crença dos modernos: da ciência da religião à constituição da sociedade – Emerson Giumbelli (PPGSA/UFRJ)
  • Três comentários cândidos sobre a antropologia da ciência – Mariza Peirano (PPGAS/UnB)

Conferência B – 17h a 18h45 – Auditório Sônia Viegas

  • Físico também é gente – Ennio Candotti (UEA e SBPC)

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Dia 21

ST1: Inovações e modelagens sociotécnicas I – 9h30 a 12h – Auditório Baesse

  • Entes inclassificáveis: Las Casas, Sepúlveda e o debate de Valladolid – Rafael A. Almeida (UFMG – Mestrando em Sociologia)
  • Terapêutica antroposófica, vitalismo e medicina – Messias Basques (UFSCar – Mestrando em Antropologia)
  • A semelhança multiplicada: tecnologias para saúde e estética em pet shops e clínicas veterinárias – Jean Segata (UFSC – Doutorando em Antropologia)
  • Matemática, ciência ou ferramenta? Discussões sobre a matemática a partir da experiência das Olimpíadas de Matemática – Gicele Sucupira (UFRGS – Mestranda em Antropologia)

ST2: Controvérsias sociotécnicas I – 9h30 a 12h – Auditório Bicalho

  • Rádios Livres: uma controvérsia no ar – Flora R. Gonçalves (UFMG – Mestranda em Antropologia – LACS)
  • Discordâncias em torno da radioatividade: imagística sexual e controvérsias científicas entre “os Curie” e seus desdobramentos – Gabriel Pugliese (USP – Mestrando em Antropologia)
  • “Se meus neutrófilos são baixos, eu também tenho um pé na cozinha?”: usos políticos da tecnologia de medição de leucócitos na articulação de idéias sobre diferença “racial” – Elena C. González (UFBA – Bolsista PRODOC do PPGCS)
  • Relações entre ciência e políticas de identidade no Brasil contemporâneo – Carolina C. Rodrigues (UNICAMP – Doutorado em Ciências Sociais)

Mesa 3: Agência dos objetos: antropomorfismo ou miriateismo? – 14h a 16h30 – Auditório Sônia Viegas

  • Pequena reflexão afro-brasileira sobre os fetiches – Marcio Goldman (PPGAS/MN/UFRJ)
  • Quando o carro “pede marcha”: reflexões em torno da querença dos objetos – Pedro P. Ferreira (CTeMe/Unicamp– II ReACT)
  • Uso de drogas e micropolíticas da possessão: notas sobre alienação (e sociedade) – Eduardo V. Vargas (PPGAN-LACS/UFMG – II ReACT)

Mesa 4: Etnologia das ciências: cosmologias alteríndias – 17h a 19h30 – Auditório Sônia Viegas

  • Entrando em órbita: repensando a agência antropológica e o posicionamento de seus satélites – Guilherme José da Silva e Sá (PPGAS/UnB– II ReACT)
  • Imagens e olhares: questões cruzadas em torno da autoria, cópia e pertencimento – Silvia Pellegrino (PPGAS/USP)
  • Recintos e evolução – Stelio A. Marras (PPGAS/USP– II ReACT)

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Dia 22

ST3: Inovações e modelagens sociotécnicas II – 9h30 a 12h – Auditório Baesse

  • A epidemia de cólera-morbus em Pernambuco em meados do século XIX: a construção de práticas e saberes médico-sanitários no combate à doença – Luciana dos Santos (USP – Doutoranda em Antropologia)
  • Notas sobre equívocos cruzados em um Distrito Sanitário Especial Indígena – Camila B.P. de Caux (MN/UFRJ – Mestranda em Antropologia – LACS/UFMG)
  • Quando a abertura de caixas-pretas é êmica: distensões e fricções de Natureza e Cultura  em um laboratório de neurociências – Marcos C. Carvalho (IMS/UERJ – Mestrando em Saúde Coletiva)
  • O debate em torno da ética em pesquisa biomédica: parentesco científico e rede sociotécnica – Rui Harayama (UFMG – Mestrando em Antropologia – LACS/UFMG)

ST4: Controvérsias sociotécnicas II – 9h30 a 12h – Auditório Bicalho

  • O lugar do sensível nas práticas de classificação botânica – Joana Cabral de Oliveira (USP – Doutoranda em Antropologia)
  • Uma turbamulta de baleias incertas, fugidias e semifabulosas: notas de uma praxiografia – Orlando Calheiros (MN/UFRJ – Doutorando em Antropologia)
  • Aquecimento Global e Elaboração de Políticas Públicas: Abordando o Problema sob a perspectiva da “Terceira Onda de Estudos Sociais da Ciência” – Tiago R. Duarte (UK Cardiff – Doutorando em Sociologia)
  • Antropologia da ciência e da técnica no Brasil – Carlos E. Sautchuk (PPGAS/UnB)

Mesa 5: Culturas científicas e outras culturas 14h a 16h30 – Auditório Sônia Viegas

  • Cultura científica: um exame a partir de algumas de suas variantes históricas – Bernardo Jefferson de Oliveira (FAE/UFMG)
  • Museus de história natural em duas câmeras – Jayme M. Aranha Filho (PPGSA/UFRJ)
  • Algumas reflexões sobre equívocos entre médicos, o Estado e os Yanomami do Alto Orinoco, Venezuela – José A. Kelly (PPGAS/MN/UFRJ)

Conferência C – 17h a 18h30 – Auditório Sônia Viegas

  • The Geoid as Transitional Object (O geóide como objeto transicional) – Michael Fischer (MIT, USA)

Sessão de encerramento – 18h30 – Auditório Sônia Viegas
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Fevereiro 4, 2009

El modo de existencia de los objetos técnicos

Em 2007, os leitores na Argentina tiveram acesso a El modo de existencia de los objetos técnicos, tradução de Margarita Martínez e Pablo Rodríguez para Du mode d’existence des objets techniques de Gilbert Simondon, publicado pela Editorial Prometeo. A tradução tem soluções excelentes, outras (poucas) discutíveis. A julgar pelos antecipos, as ramificações da influência de G. Simondon nesse país serão fulgurantes. Espera-se que L’individuation… seja em breve editada em espanhol.

Ao apresentar o pensamento de Simondon e suas convergências com outros filósofos da técnica e teóricos da informação, como Bateson, Pablo Rodríguez escreve que “individuar es resolver um problema existencial”, “todo ser, sea que pertenezca al reino de lo meramente físico, de lo vital, de lo psíquico, de lo social o de lo técnico, tiene un problema que debe resolver a través de un proceso de ‘individuación’”. G. Simondon como filósofo seria um naturalista de um mundo no qual a natureza foi subsumida no artíficio; ele abriria, porém, vias para pensar o cosmos que acreditávamos exaurido.

No número seis da Revista Artefacto foram publicadas as introduções dos dois livros de Simondon. Como os integrantes de seu grupo editorial, essa revista forma parte da “máquina” do curso de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires. Com critérios editoriais próprios, ela tem gerado um meio de troca de idéias em torno da questão da técnica que não se limita àquele espaço. Alguns dos textos da versão impressa podem ser encontrados em: http://www.revista-artefacto.com.ar. Há pontos de correspondência precisos, e também afinidades diversas, entre as pesquisas do CTeMe e as deles.

Cecilia Diaz Isenrath

Fevereiro 3, 2009

Sociologia, arte e tecnociência

Rodolfo Eduardo Scachetti e Rosana Horio Monteiro estão organizando um número especial da revista Temáticas do IFCH voltado para o tema Sociologia, arte e tecnociência. Segue a ementa do número:

“A proposta deste dossiê é a de reunir trabalhos que trafeguem por áreas fronteiriças, produzindo conhecimentos que se cruzem de algum modo e alimentem a tríade ’sociologia, arte e tecnociência’.

O objetivo central é divulgar produções de sociólogos, artistas e cientistas que tratem de experiências diversas em arte contemporânea, como performances, instalações, produções visuais, de vídeo, prototípicas, esculturais, notadamente vinculadas à tecnociência. A expectativa é de que tais proposições dialoguem de modo a revelar um pouco como os artistas, posicionados privilegiadamente em uma atividade que se constrói justamente como um combate aos limites que fundamentam toda linguagem, têm ‘processado’ o estado da arte das ciências e das tecnologias de ponta.

Interessa, aqui, questionar como a arte contemporânea se apropria dos artefatos atuais e virtuais produzidos pela tecnociência e, em contrapartida, como esta também se apropria da dinâmica da criação de formas, própria à arte, para fazer avançar seus objetivos.”

A data limite para o envio de textos é 10 de março de 2009, e mais informações podem ser obtidas pelo e-mail: srodolfo@uol.com.br.

Pedro P. Ferreira

Fevereiro 1, 2009

Quanto como um desenho


Nosso colega André Favilla está expondo impressões em ink-jet de imagens digitais no Ateliê Aberto até o dia 28 de fevereiro de 2009. A exposição, com título harawayano – Quanto como um desenho -, conta com “nove desenhos, de quatro séries diferentes”. Segundo o press-release: “Seus desenhos propõem uma investigação sensorial de modos possíveis de visualidade na cultura tecnocientífica onde o mundo é entendido como o produto de configurações transitórias de padrões de informação.”

O Ateliê Aberto fica na rua Santos Dumont 323, conj.02, Cambuí, em Campinas (SP). A exposição pode ser visitada de segunda a sexta das 14h às 18h, e aos sábados com agendamento pelo telefone (19) 3251-7937 ou pelo e-mail “atelie.aberto@uol.com.br”.

Uma matéria sobre a exposição foi publicada no Correio Popular de 30 de janeiro, dia de sua abertura. Nela a reporter diz, entre outras coisas: “Conversar com André Favilla sobre a atual linha de pesquisa dele em arte é quase como conversar com um cientista, ou um matemático, ou um economista.”

Logo que eu puder ir à exposição farei algum comentário aqui.

Pedro P. Ferreira

Janeiro 10, 2009

Digitofagia

Ricardo Rosas e Giseli Vasconcelos (orgs.). Net_cultura 1.0: Digitofagia.
São Paulo: Radical Livros, 2006.
ISBN: 85-98600-04-8

Finalmente saiu o livro Net_cultura 1.0: Digitofagia, organizado por Ricardo Rosas e Giseli Vasconcelos e publicado pela Radical Livros. O livro traz como ano de publicação 2006, o que quer dizer que alguma coisa aconteceu durante 2007 e 2008 para ele sair só agora. Mas enfim, antes tarde do que nunca!

O produto é interessante. Um livro bem acabado, com um visual meio estranhão, com grandes detalhes cartunescos e cheio, cheio de tarjas pretas que devem ter algum significado que me escapa mas que, no final, parecem um grande desperdício de tinta.

Além de um prefácio dos organizadores e uma introdução de Geert Lovink, o livro traz 33 textos super variados, divididos em seções intituladas “Políticas do sampler”, “Imagem-ação”, “Sons e sistemas”, “Teorias táticas”, “Coletivações”, “Linkanias” e “Intervenções digitais”. Ainda estou lendo, por isso não vou dizer nada sobre os textos.

Tem um texto meu no livro: “O analógico e o digital: tecnoestética, micropolítica e fetichismo na música eletrônica”. Trata-se de uma versão mutilada e muito estranha (não sei onde estava com a cabeça…) de minha apresentação na 24a Reunião de Brasileira de Antropologia (ABA 2004).

Meu envolvimento com o projeto que resultou nesse livro se deu por meio de nosso colega Chico Caminati. Quando estávamos começando a fazer um som eletrônico juntos (quando a Ju ainda fazia parte do subradio), pudemos nos apresentar no festival Digitofagia (2004) no MIS em São Paulo, que fez parte das preparações para esse livro. Além disso, graças a um amigo apresentado pelo Chico (o Pajé), fui convidado para participar da conferência Submidialogia (Unicamp, 2005), onde fiquei conhecendo melhor a plataforma Waag-Sarai, financiadora do livro.

O livro tem textos de todos os tipos, escrito por pessoas muito diferentes e de regiões diversas do Brasil. Altamente recomendável para todos aqueles interessados em conhecer idéias originais e atuais sobre e de mídia tática do terceiro mundo para baixo.

Pedro P. Ferreira

Janeiro 3, 2009

Nada#12

Foi lançada a Nada#12, a primeira depois da “nossa” (não podia perder a oportunidade de dizer isso). Maravilha de revista, muito bonita como sempre. Este número está mais leve do que o anterior, tanto pelo número menor de páginas (142) quanto pela própria gramatura do papel. Ela está até alguns milímetros menor… Mas isso é só forma.

O conteúdo está magnífico e, posso dizer, bastante denso. Eu destaco os textos “Notas para uma metafísica do gene”, de Howard Caygill (Goldsmiths College), “Cultura somática e tecnologias”, de Maria C.F. Ferraz (Universidade Federal Fluminense), “Entre fricções, factos e ficções”, do nosso colega André L. Favilla (Facamp, CTeMe), e “Pontal”, do escritor e editor João Urbano.

O restante da revista também está supimpa, com textos de Luís Quintais, Marcus Steinweg, Jorge L. Rosa e uma entrevista com Paulo Mendes (essa entrevista, aliás, é um prato cheio para qualquer um interessado no mundo das artes em Portugal nos anos 90).

No geral, o número pega pesado em questões metafísicas e ontológicas, peso e densidade que transparecem na pintura que ilustra a sua capa. Vale comemorar o retorno das páginas coloridas à revista, e merecem menção especial as fotografias do “membro anónimo do Sonderkommando de Auschwitz” exibidas no texto de Rosa, que trata delas.

A revista pode ser encontrada na Espanha e no Brasil, além de sua terra natal, Portugal.

Pedro P. Ferreira